Vendas em nuvem disparam por IA, mas gigantes enfrentam aperto de caixa e endividamento
Demanda por capacidade de IA impulsiona receita — e construção massiva de data centers — mas cria fluxo de caixa desigual e necessidades de financiamento elevadas.
Microsoft e Alphabet divulgaram na quarta‑feira crescimento forte na receita de nuvem: Azure registrou cerca de US$33,2 bilhões e o Google Cloud, aproximadamente US$30,7 bilhões, refletindo o aumento rápido dos gastos empresariais com capacidade de IA.
O trimestre mostrou um descompasso no caixa: a Microsoft gerou cerca de US$18,6 bilhões em fluxo de caixa livre. A Alphabet teve um déficit de aproximadamente US$9 bilhões em fluxo de caixa livre, após gastos de capital de cerca de US$51,4 bilhões.
A Amazon informou a investidores que a capacidade da AWS está majoritariamente reservada para 2027 e 2028 e elevou seu plano de capex para 2026 para cerca de US$220 bilhões para atender à demanda. O pedido de IPO da Anthropic revelou compromissos plurianuais com hyperscalers que variam de dezenas a centenas de bilhões de dólares.
O mercado reagiu ao contraste entre receita e financiamento: as ações da Alphabet caíram fortemente por crescimento mais fraco em publicidade e queima de caixa, e as da Microsoft subiram, já que o crescimento da nuvem se traduziu em geração positiva de caixa.
Analistas estimam que o setor gastará bem mais de US$700 bilhões neste ano em data centers, chips e redes, o que provoca gargalos de oferta de GPUs e TPUs avançadas no curto prazo e cria riscos para fornecedores, clientes que aguardam capacidade e para os mercados de crédito que financiam a expansão.