Regra do TSE que bloqueia recomendação de perfis oficiais leva campanha de Lula a remodelar estratégia digital
Filtros das plataformas que impedem recomendação de contas de campanha fizeram a equipe do presidente recorrer a ministros, influenciadores e grandes grupos de WhatsApp para ampliar alcance antes do segundo turno em 25 de outubro.
A norma eleitoral atualizada em 2024 exige que as plataformas parem de recomendar perfis oficiais de campanha e suas postagens orgânicas, embora anúncios pagos continuem permitidos pela regulamentação.
Grandes plataformas apresentaram planos afirmando ter implementado filtros de recomendação, mas auditorias técnicas e pesquisadores independentes identificaram lacunas, e o TSE não detalhou como a regra se aplica a contas que saíram da disputa após o primeiro turno.
A campanha de Lula mudou tática: passou a priorizar conteúdo informal, no estilo selfie; atribuiu a ministros papéis de alcance específicos; e mobilizou canais aliados, incluindo um grupo no WhatsApp administrado por André Janones que cresceu para mais de dois milhões de membros.
Dados mostram um forte desequilíbrio digital: deputados do PL somam cerca de 210 milhões de seguidores, contra aproximadamente 72 milhões do PT e aliados, e as publicações de Flávio Bolsonaro têm média de interações por post bem superior às de Lula.
Com o segundo turno em 25 de outubro, o alcance prático de cada campanha vai depender da aplicação das regras pelas plataformas e das redes de terceiros. Observadores devem acompanhar as orientações do TSE, auditorias das plataformas e se influenciadores e políticos aliados conseguirão compensar a perda de descoberta orgânica.