Plano de Resende para cortar a Selic abre debate sobre novo conselho fiscal‑monetário
Economista diz que corte rápido atrelado a um conselho reduziria despesa com juros do governo e estabilizaria dinâmica da dívida.
Nesta semana economistas e figuras políticas debateram a proposta pública de André Lara Resende de reduzir a Selic de 13,75% para cerca de 7,5% em um ano e criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) para definir parâmetros fiscais e de juros plurianuais.
Resende afirma que o plano reduziria rapidamente a despesa com juros do governo porque muitos títulos públicos acompanham a Selic, e estima que a medida poderia gerar uma economia fiscal próxima a 4% do PIB por ano.
A proposta depende de forte credibilidade fiscal e do uso ativo das grandes reservas internacionais do Brasil para vender dólares e suavizar o real, estratégia que críticos dizem correr o risco de esgotar reservas, provocar movimentos cambiais mais bruscos e manter saídas de capitais.
As reações nesta semana variaram do elogio à análise à cautela: o economista norte‑americano John Cochrane chamou o artigo de sofisticado, mas advertiu que os mercados precisam confiar no compromisso fiscal; José Sérgio Gabrielli apoiou a criação de um conselho ampliado, rejeitando, porém, limites forçados de juros; e o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o partido e o presidente Lula não discutiram o plano.
A ideia mudaria a forma de condução da política monetária ao reduzir a discricionariedade do Banco Central, e o mercado passará a observar se líderes políticos endossam o conselho, como serão usadas as reservas e se haverá ganhos de credibilidade capazes de evitar inflação mais alta ou aumento dos custos de importação para as famílias.