Mercado reprecifica ativos após reeleição de Lula; juros sobem e ações caem
Incerteza fiscal renovada e rumores de plano fora do usual para reduzir juros elevam previsões de inflação e da Selic e encarecem o custo de financiamento do governo.
A preocupação de investidores desde a reeleição de Lula em 25 de outubro provocou saídas persistentes e forçou uma rápida reavaliação dos ativos brasileiros, com o Ibovespa fechando no nível mais baixo desde janeiro nesta terça‑feira.
A pesquisa do mercado do Banco Central mostrou expectativas piores no primeiro Boletim Focus após a votação, com a inflação para 2027 e a projeção da Selic revisadas para cima e a previsão para o dólar elevada.
A especulação sobre uma proposta de um economista para reduzir fortemente a Selic intensificou as vendas, provocou um salto nos contratos futuros de taxa de juros e nos títulos longos do governo, e recebeu reprovação pública do ministro da Fazenda.
O real se desvalorizou em direção a R$5,50, enquanto ações da Petrobras e de outras grandes empresas lideraram as perdas, e operadores passaram a precificar forte chance de que o Copom mantenha a Selic em 13,75% na reunião de 3 e 4 de novembro.
Forças externas, incluindo um aumento de juros do Reserve Bank of Australia e a volatilidade nos resultados de empresas de tecnologia, adicionaram pressão ao sentimento, deixando os juros mais altos do Brasil e o risco fiscal como determinantes-chave da direção do mercado no curto prazo.