Governador eleito Cleitinho questiona contas de Minas durante transição conturbada
Disputa pública sobre a grave situação fiscal motivou promessas de auditorias e pedido de neutralidade do presidente para preservar obras federais
Cleitinho Azevedo, que falou no Senado na sexta-feira, 16 de outubro, questionou publicamente as recentes projeções de déficit de Minas Gerais, advertiu o governador em exercício Mateus Simões para não sabotar medidas e afirmou que ordenará auditorias e revisões de contratos estaduais ao assumir o cargo.
A troca de farpas se intensificou quando Cleitinho passou mal após seu discurso e recebeu atendimento do serviço médico do Senado por uma breve elevação na pressão arterial e na frequência cardíaca, sendo liberado em seguida com orientações de repouso.
A gestão de Simões respondeu defendendo suas medidas fiscais, anunciou que a folha de dezembro de 2026 será depositada até 6 de janeiro de 2027 e que o 13.º salário será pago em 2026, além de oferecer reuniões de transição ao vivo e transparentes e disponibilizar laudos de auditoria já existentes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sua reeleição é a “única chance” para Minas recuperar-se e pediu que Cleitinho mantenha neutralidade para que investimentos federais e obras em andamento não sejam prejudicados.
Minas Gerais iniciou 2026 com forte aperto fiscal — relatórios oficiais citam dívida de R$187 bilhões com a União e disponibilidade líquida de caixa negativa superior a R$11 bilhões — o que ajuda a explicar por que as disputas contábeis na transição têm impacto sobre salários, repasses a municípios e projetos em curso.