Dívida pública dos EUA passa de US$ 40 trilhões pela primeira vez
Alta dos juros de títulos americanos pressiona custos de financiamento globais e eleva o custo efetivo da dívida brasileira ao maior nível desde 2016
O Tesouro dos Estados Unidos confirmou nesta quarta‑feira que a dívida pública total superou US$ 40 trilhões e anunciou que vai dobrar os recompra de títulos de longo prazo para pelo menos US$ 4 bilhões por operação na tentativa de conter os juros de longo prazo.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo subiram a máximas de vários anos, o que motivou o plano de recompra e eleva as taxas de referência usadas por muitos países para precificar sua dívida soberana.
O Banco Central do Brasil informou que a taxa implícita em 12 meses sobre a dívida pública bruta ficou em 13,2%, o maior patamar desde 2016. A Selic acumulou 14,8% em 12 meses até junho de 2026.
Analistas citam três fatores domésticos que aumentam o custo líquido da dívida do Brasil: a grande participação de títulos de curto prazo indexados à Selic que se reprogam rapidamente; a expansão de programas de crédito subsidiado financiados a taxas de mercado; e prêmios maiores exigidos por investidores devido à incerteza fiscal. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou as taxas de longo prazo como “inaceitáveis.”
A combinação da volatilidade dos rendimentos nos EUA com a estrutura da dívida brasileira eleva os riscos para o financiamento e para o crescimento. Projeções indicam que a relação dívida/PIB pode caminhar para ou acima de 90% nesta década se não houver avanço em confiança, transparência e ajustes fiscais.