Confaz eleva parcela do ICMS no diesel e Lula mira indicações heterodoxas para o BC
Mercados temem que nomeações e calendário congressual comprimido enfraqueçam a credibilidade monetária do Brasil.
O Confaz atualizou as alíquotas fixas do ICMS para combustíveis, elevando a parcela do diesel de R$1,17 para R$1,30 por litro, medida que entra em vigor em 1º de fevereiro de 2027 e gerou críticas públicas entre o ministro Guilherme Boulos e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O presidente Lula avalia nomes de viés heterodoxo para várias vagas na diretoria do Banco Central e planeja enviar ao menos duas indicações ao Senado ainda neste mês, o que despertou preocupação entre investidores sobre pressões para acelerar cortes da Selic além do que o mercado espera.
Propostas do economista André Lara Resende para definir um caminho‑meta da Selic circulam em discussões internas do governo, e autoridades de alto escalão, incluindo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, rejeitaram publicamente a adoção dessas medidas específicas.
Executivo e lideranças congressuais correm para aprovar itens prioritários antes da mudança na composição do Legislativo em fevereiro de 2027. Está em debate no Congresso a medida provisória que proíbe apostas online de cota fixa, e o Supremo Tribunal Federal realiza hoje uma audiência pública sobre o tema.
Investidores acompanham também riscos políticos globais, como as eleições de meio de mandato nos EUA e as tensões no Oriente Médio, que, combinados com a incerteza fiscal e monetária no Brasil, podem estimular fluxos de capital, movimentos cambiais e elevação das taxas de juros de longo prazo.