Temporada de resultados do 3º trimestre começa com sinais claros de desaceleração na economia
Juros altos, endividamento recorde das famílias e custo de capital pressionam lucros; investidores dão peso à orientação das empresas
Analistas que iniciaram cobertura na quarta-feira esperam resultados geralmente mais fracos no terceiro trimestre e projetam o lucro combinado de Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Nubank em cerca de R$31,4 bilhões.
O aumento das taxas de juros e o nível recorde de endividamento das famílias elevaram o custo de capital das empresas e comprimiram as margens de lucro em diversos setores.
O quadro de crédito frágil, com níveis de inadimplência sem sinais de melhora, levou os grandes bancos a adotar postura cautelosa em novas concessões de crédito e a considerar maiores provisões para empréstimos perdidos.
Com a corrida presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro gerando incerteza política, investidores tendem a dar mais peso à orientação futura das empresas do que aos números trimestrais brutos.
A pressão sustentada sobre setores dependentes de crédito pode retardar contratações e investimentos, de modo que o mercado acompanhará nas próximas semanas a orientação dos executivos, as provisões dos bancos e o fluxo de empréstimos em busca de sinais sobre a profundidade ou o alívio da desaceleração.