STF adia decisão sobre investigar Alexandre de Moraes
Suspensão dá aos ministros até 90 dias para decidir, aumentando chance de não haver resolução antes das eleições de outubro e aprofundando dúvidas sobre a credibilidade do tribunal.
A sessão plenária convocada pelo presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, na terça-feira, 15 de setembro, não chegou ao mérito após horas de disputas processuais e troca de farpas entre os ministros.
O ministro Flávio Dino pediu vista, o que, segundo as regras vigentes, pode atrasar o caso por até 90 dias e, na prática, congela qualquer decisão sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes.
Foi juntado aos autos um relatório de inteligência da Polícia Federal que cita 52 mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para Moraes, mas a Procuradoria-Geral da República pediu a anulação desse relatório da PF e afirmou que ele não tem validade.
Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos e suspeitos, respectivamente, e se afastaram do julgamento, em um sinal da sensibilidade do tema por seu impacto eleitoral e de potenciais conflitos de interesse.
A disputa ampliou-se para uma crise institucional porque a assunção da relatoria por Fachin após a circulação do material da PF por Mendonça foi criticada como 'avocatória'; o presidente Lula pediu apurações mais amplas e reforma judicial; e o adiamento eleva riscos concretos de contaminação eleitoral e de novo desgaste da imagem do tribunal.