Lula rejeita rotulação pelo EUA do PCC e do CV como terroristas e chama 8 de janeiro de 'terrorismo de Estado'
Movimento provoca atrito diplomático que pode afetar cooperação de segurança antes da Assembleia Geral da ONU.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou publicamente na sexta-feira a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas feita pelo presidente dos EUA e descreveu a tentativa de golpe de 8 de janeiro como “terrorismo de Estado”.
A decisão dos EUA e um relatório anual ao Congresso acusaram o Brasil de não enfrentar as facções e ampliaram as ferramentas de Washington contra elas, incluindo sanções financeiras, restrições migratórias e medidas de inteligência.
A Presidência da República contestou formalmente o relatório dos EUA e defendeu sua atuação contra o crime organizado, argumentando que a legislação doméstica define terrorismo de forma mais restrita, por motivação ideológica, e por isso não classifica facções criminosas como terroristas.
Lula aproveitou um evento sobre segurança no Rio para prometer operações integradas entre União, estado e municípios para retomar territórios dominados pelo crime organizado, afirmando que o governo vai reforçar a coordenação do comando e da inteligência no estado.
O impasse gera atrito diplomático antes da viagem de Lula a Nova York para a Assembleia Geral da ONU e pode alterar a cooperação em investigações, sanções e operações em campo no Rio, com consequências diretas para moradores sob controle de facções.