Lula pede a Trump que 'não se meta' no Brasil e alerta tribunal contra 'falcatrua'
Declaração do presidente eleva pressão sobre cortes e relações com os EUA ao apresentar influência externa ou interferência judicial como ameaça ao pleito de outubro.
Lula falou em um comício em Teresina na quarta-feira e disse diretamente ao presidente dos EUA, Donald Trump, para “se meter no país dele”, afirmando que os brasileiros “vão derrotar” qualquer tentativa americana de interferir na eleição.
Ele acusou as autoridades eleitorais de possível “falcatrua” — termo em português para fraude ou conluio — e afirmou que vai resistir a quaisquer movimentos judiciais que considere manipulação do voto.
Adversários levaram a disputa para a Justiça: Flávio Bolsonaro apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) em 8 de setembro pedindo a cassação da chapa de Lula por causa do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, petição que, se acolhida, pode invalidar a candidatura.
No evento em Teresina, Lula citou Marcelo Castro e Júlio César como seus candidatos ao Senado preferidos no Piauí e rejeitou aliados locais que chamou de “vira-lata”, indicando desgaste em alianças regionais, inclusive tensões com o PP de Ciro Nogueira.
As declarações elevam três riscos imediatos: maior polarização na campanha, um teste jurídico para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) caso a AIJE tramite, e um possível desgaste diplomático com os Estados Unidos que eleitores podem interpretar como uma ameaça à legitimidade democrática.