Lula e Trump têm conversa cordial e combinam retomar negociações sobre tarifas
Troca abre caminho para reuniões técnicas entre equipes dos dois países, sem anúncio de retirada de tarifas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sexta‑feira, 21 de agosto, e disse que as alegações americanas que justificaram novas tarifas sobre produtos brasileiros são infundadas, ao mesmo tempo em que pediu uma retomada rápida das negociações.
As medidas dos EUA em questão resultam de duas ações de julho: uma investigação sob a Seção 301 que aplicou um sobretaxa de 25% e um inquérito sobre trabalho forçado que adicionou 12,5% — medidas que podem se sobrepor e elevar as cobranças até 37,5% em alguns produtos.
Lula rejeitou a classificação de facções criminais brasileiras como organizações terroristas e destacou que o Brasil já utiliza ferramentas como uma estratégia de estrangulamento financeiro, que o governo diz ter levado a cerca de R$17 bilhões em apreensões, melhorias em presídios e à Lei Antifacção.
Segundo o Planalto, Trump concordou em preservar laços comerciais fortes e em mobilizar autoridades de alto nível e equipes técnicas dos EUA para dar seguimento tanto às questões comerciais quanto à cooperação em segurança, mas não houve anúncio de revogação das tarifas nem de mudança na designação ligada ao terrorismo.
A ligação reduz a tensão diplomática imediata e estabelece um processo de negociação; no entanto, desfechos concretos para proteger exportadores brasileiros ou resolver divergências sobre a política de designações dependerão das reuniões técnicas futuras e de possíveis medidas recíprocas por parte do Brasil.