Durigan sinaliza compromisso fiscal e busca conselhos de economistas do mercado
Ele tenta tranquilizar investidores com discurso de controle orçamentário, sem divulgar cortes detalhados por orientação do presidente Lula.
Durigan assumiu papel de interlocutor econômico de Lula e intensificou encontros com investidores e economistas de destaque, numa mobilização para recuperar a confiança do mercado reportada por diversos veículos na sexta-feira.
Ele afirmou publicamente que pretende manter o arcabouço fiscal e disse que o governo tem como meta entregar cerca de 2 pontos percentuais do PIB em ajuste fiscal adicional até 2030.
Uma proposta inicial, dirigida ao mercado, de reduzir o teto de crescimento anual das despesas do arcabouço de 2,5% para cerca de 1,5% circulou em conversas com investidores, mas foi minimizada depois que Lula e líderes do partido desaconselharam compromissos públicos com detalhes que possam ser politicamente custosos.
Durigan sustenta que parte da inflação atual e da necessidade de juros elevados refletem a guerra no Oriente Médio e declarou que prioridades domésticas em um novo mandato incluiriam o fim do regime 6x1 e o enfrentamento de taxas abusivas em crédito ao consumidor.
Os mercados seguem sensíveis: a dívida pública estava próxima de 81,9% do PIB em junho e a Selic está em torno de 14%, de modo que, segundo autoridades, serão necessárias medidas mais claras e politicamente viáveis após a votação para permitir queda de juros e tranquilizar agências de classificação de risco.