Lula defende prioridade ao crescimento e descarta cortes em programas sociais com alta da dívida pública
Presidente diz que não fará os pobres 'pagar o preço' e defende endividamento direcionado a ativos de longo prazo
Em entrevista à TV Globo na quinta-feira, 15 de outubro, Lula afirmou estar preocupado com a alta da dívida pública, mas sustentou que a solução para as pressões fiscais é o crescimento econômico — e não austeridade que penalize os mais pobres.
Ele rejeitou explicitamente ajustes fiscais que "façam o pobre pagar" e disse que não cortará gastos sociais se for reeleito.
O presidente declarou que trata a dívida "com respeito" e buscará evitar aumentos, mas defendeu contrair dívida quando ela financiar ativos de longo prazo, como ferrovias, portos ou projetos de energia.
Lula contestou a avaliação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, de que o modelo de crescimento baseado em renda e crédito está esgotado, acirrando um confronto público entre a campanha presidencial e a autoridade monetária.
O presidente relacionou sua posição a medidas recentes vinculadas à campanha — tarifa zero de transporte nos fins de semana, ampliação das tarifas sociais de energia, gás grátis para cerca de 17 milhões de pessoas, reformas do MEI e fim da escala 6x1 — e afirmou que pressões sobre preços de energia derivam em parte da privatização da Eletrobras em 2022.