Impasse diplomático trava indicado de Trump; Brasil não concedeu agrément
Sem agrément, Daniel Perez não pode assumir embaixada; disputa também afetou vistos e está no centro de negociações comerciais
Daniel Perez foi confirmado pelo Senado dos EUA, mas não pode assumir a embaixada em Brasília porque o governo brasileiro não concedeu o agrément, disse ele em entrevista exibida no domingo.
Autoridades brasileiras afirmaram estar desconfortáveis porque os EUA anunciaram publicamente a nomeação de Perez antes de solicitar o agrément — um desvio da prática diplomática prevista na Convenção de Viena.
Como resposta ao atraso, a administração Trump revogou parcialmente o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, em 4 de agosto, numa medida punitiva.
Perez afirmou que não vai se envolver na eleição presidencial de outubro no Brasil, que sua prioridade será a segurança de americanos no país e que as tarifas dos EUA buscam reciprocidade, citando os direitos sobre etanol como exemplo.
As negociações bilaterais sobre tarifas e comércio continuam, incluindo uma ligação recente entre Lula e Trump e uma reunião marcada entre o ministro do Comércio do Brasil e um representante do U.S. Trade Representative; a disputa sobre o agrément deve influenciar essas tratativas.