Governo começa pagamento de Bolsa Família de R$691 e polêmica sobre transição de 2 anos esquenta campanha
Antecipação dos benefícios antes do segundo turno cria dilema fiscal e acirra críticas entre as campanhas
O governo federal elevou o valor-base do Bolsa Família em 15,04%, para R$691, e começou a pagar o novo valor nesta segunda-feira, seguindo um calendário unificado de outubro para que todos recebam os valores reajustados antes do segundo turno em 25 de outubro.
O ministro da Economia, Dario Durigan, afirmou que a medida custará cerca de R$5,8 bilhões em 2026 a partir da folha de outubro e aproximadamente R$22 bilhões em 2027, e que o Executivo ajustará o orçamento do ano que vem para cobrir o gasto extra.
Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, propôs uma transição de dois anos para beneficiários que consigam trabalho formal ou abram um negócio, com um “retorno automático” ao programa caso a tentativa fracasse — proposta que provocou reação política imediata.
Flávio Bolsonaro negou planos de acabar com o Bolsa Família e reiterou que beneficiários manteriam os pagamentos por até 24 meses após conseguirem emprego. Ele disse também que poderiam retornar imediatamente ao programa se a renda cair. A campanha de Lula ressuscitou tuítes antigos e acusou o PL de planejar cortes.
O episódio lembra precedente de 2022, quando transferências também foram antecipadas antes do segundo turno, e ressalta como regras de elegibilidade, períodos de proteção e decisões orçamentárias afetam diretamente milhões de famílias de baixa renda e moldam a percepção dos eleitores na véspera da eleição.