Fed: gastos com IA podem manter inflação acima da meta
Autoridades dizem que investimento bilionário em IA cria falta de chips, energia e insumos para data centers, o que pode atrasar a desinflação e exigir cautela na taxa de juros.
A integrante do Federal Reserve Lisa Cook afirmou em 1º de outubro de 2026 que a expansão de infraestrutura para inteligência artificial é o principal risco para 2027 e alertou que as pressões inflacionárias resultantes podem não se resolver rapidamente; ela apoiou o aumento unânime de 25 pontos-base na taxa no mês anterior.
O presidente do Fed de Nova York, John C. Williams, descreveu a IA como uma “corrida entre oferta disponível e demanda em forte alta” e disse que o investimento em capital para IA chega a centenas de bilhões de dólares por ano, apoiando o crescimento de forma significativa.
Williams apresentou um cenário condicional para a inflação: cerca de 3,5% em 2026, queda para pouco acima de 2% em 2027 e retorno à meta de 2% do Fed apenas em 2028 — desde que a energia se estabilize e a oferta e demanda por IA se equilibrem.
Os dirigentes destacaram que os principais fatores são faltas de chips, energia e insumos para data centers, problemas que as ferramentas do banco central não podem corrigir diretamente. Avisaram também que os ganhos de produtividade esperados da IA podem demorar consideravelmente a reduzir as pressões de preços.
Disseram ainda que grande parte dos gastos em hardware para IA depende de importações, o que limita o impacto desse investimento no PIB dos EUA, e apontaram os custos de energia e possíveis gargalos futuros na oferta como variáveis-chave que podem prolongar preços mais altos para empresas e consumidores.