Falha no kernel Linux permite root remoto em alguns servidores MPTCP
Exploit gerado por modelo de IA mostrou como um use-after-free em TCP/IPv4 pode dar root quando há listeners Multipath TCP; correções já existem, mas atualizações são irregulares
A Anthropic divulgou em 27 de outubro que seu modelo Claude gerou um exploit que, em testes, obteve execução remota de comandos com privilégios de root contra servidores que usam listeners Multipath TCP (MPTCP).
A vulnerabilidade é uma condição de corrida no TCP sobre IPv4 que pode causar um use-after-free quando o kernel repassa a memória de opções IP para um novo socket sem copiá‑la. Isso permite que um atacante vaze memória do kernel e corrompa um ponteiro de callback.
Os desenvolvedores do kernel corrigiram o bug no ramo principal em 5 de outubro e aplicaram (backportaram) o patch para ramos estáveis mantidos. Mas as atualizações das distribuições ficaram desiguais: kernels da Debian, Oracle, SUSE e alguns da Amazon receberam correções, enquanto Ubuntu e Red Hat não tinham publicado fixes até 29–30 de outubro.
Segundo a Anthropic, o exploit opera em duas etapas: primeiro vaza um endereço do kernel para derrotar o KASLR; depois sobrescreve um callback para executar um payload. Nos testes bem-sucedidos foram necessárias muitas tentativas e cerca de 48–53 minutos até alcançar execução de comandos.
Recomendações: administradores devem instalar as atualizações de kernel fornecidas pelo fornecedor ou backports quando disponíveis; restringir o acesso a serviços TCP expostos; avaliar o bloqueio de pacotes IPv4 TCP com opções IP; e observar que a ativação padrão do MPTCP em alguns softwares — por exemplo, Go 1.24 — pode aumentar a exposição. Não há relatos confirmados de exploração em ambiente real até o momento.