Dívida federal chega a R$9,288 trilhões em julho; Tesouro amplia fatia atrelada à Selic para 2026
Ajuste eleva sensibilidade da dívida a variações da taxa básica depois de forte demanda por títulos indexados à Selic com juro a 14%.
O Tesouro informou na quarta‑feira que a dívida federal subiu 0,22% em julho, para R$9,288 trilhões (R$9,29 trilhões no relatório arredondado), porque a apropriação mensal de juros — cerca de R$89–90 bilhões — compensou os resgates líquidos.
Numa revisão do Plano Anual de Financiamento (PAF) publicada em 26 de agosto, o Tesouro estabeleceu uma faixa‑alvo de 49% a 53% para papéis indexados à Selic em 2026, reduzindo a participação prevista de títulos de taxa fixa e indexados à inflação.
A reserva de liquidez do governo, o 'colchão', alcançou R$1,346 trilhão, o equivalente a aproximadamente 7,8 meses de resgates programados. O Tesouro projeta R$1,76 trilhão em vencimentos nos próximos 12 meses.
A participação de investidores estrangeiros na dívida interna caiu para cerca de 9,8% em julho, e a dívida pública externa recuou para R$340,06 bilhões após a valorização do real frente ao dólar.
A mudança para maior emissão atrelada à Selic responde à demanda de investidores motivada por juros altos e por novos produtos, como o Tesouro Reserva. Em contrapartida, ela aumenta um risco de curto prazo: movimentações maiores na taxa de juros doméstica terão agora impacto mais expressivo no custo do financiamento público.