BC interrompe afrouxamento e mantém Selic em 13,75%
Copom citou alta das expectativas de inflação, piora do cenário externo após a eleição e incerteza fiscal; não deu sinal para dezembro.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reuniu‑se na quarta‑feira, 4 de novembro, e votou por unanimidade interromper uma sequência de cinco cortes de 0,25 ponto percentual e manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
O banco central apontou como razões para a pausa a elevação das expectativas de inflação, o fortalecimento de medidas de inflação subjacente, a alta dos preços do petróleo e de commodities decorrente do conflito no Oriente Médio e o aperto da política monetária em economias avançadas.
Os mercados reagiram de forma intensa após a eleição, com fortes perdas em ações e pressão sobre a moeda, o que alimentou projeções que elevaram a inflação esperada e levou algumas instituições a prever uma trajetória mais lenta para a redução de juros.
Aliados do presidente Lula e setores industriais criticaram a decisão como excessiva e politicamente influenciada. O ministro da Fazenda prometeu medidas fiscais estruturais futuras com o objetivo de criar espaço para juros menores.
O Copom não ofereceu sinal explícito para a reunião de dezembro e segue monitorando os desdobramentos fiscais e os dados econômicos, além de operar com duas vagas na diretoria que deixam a cúpula do banco incompleta.