TSE tem 3 a 1 para manter remoção de publicações que ligavam Flávio Bolsonaro a Nossa Senhora
Decisão pode moldar o voto ao tirar das redes alegações amplamente compartilhadas em uma disputa apertada com muitos eleitores indecisos.
O plenário virtual do Tribunal Superior Eleitoral registrou configuração de 3 a 1 a favor da ordem da ministra André Mendonça para remoção de publicações que apresentavam como fato a afirmação de que Flávio Bolsonaro planejava tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira, com três votos ministeriais ainda pendentes.
A ordem de remoção desencadeou uma sequência de decisões monocráticas no Supremo Tribunal Federal em que o ministro Flávio Dino suspendeu a medida de Mendonça e o ministro Luiz Fux depois a restabeleceu, produzindo decisões rápidas e conflituosas que empurraram a disputa para revisão entre tribunais.
A atuação judicial se ampliou em 30 de setembro, quando o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal proibiu George Marques, da Secretaria de Comunicação da Presidência, de publicar conteúdo político, e a ministra do TSE Estela Aranha deu ao deputado Nikolas Ferreira 24 horas para apagar uma postagem que ela considerou distorcer uma declaração de Lula.
Os responsáveis pela organização das eleições dizem que os preparativos estão, em grande parte, concluídos, com 90% das urnas eletrônicas prontas, e que foram reforçadas normas para impedir qualquer dispositivo eletrônico que possa violar o sigilo do voto — prática que foi operacionalmente estendida aos chamados óculos inteligentes após abusos registrados no Pará.
As intervenções dos magistrados ocorrem em meio a pesquisas que mostram uma corrida presidencial empatada, com cerca de um terço dos eleitores aberto a mudar seu voto; analistas divergem sobre os efeitos, alguns alertando que o choque institucional pode prejudicar o candidato governista e outros afirmando que pode beneficiar a oposição.