Terapia genética ligada a Nobel melhora visão em 6 de 10 pessoas com retinite pigmentosa
Injeção do gene ChrimsonR numa eye e óculos que transformam imagens em luz âmbar deram ganhos modestos de visão e perfil de segurança tolerável, segundo estudo clínico
O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026 foi anunciado em 5 de outubro em reconhecimento ao trabalho de Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel sobre canais iônicos ativados por luz e o desenvolvimento da optogenética.
Um estudo publicado em 7 de outubro no New England Journal of Medicine testou uma terapia em 10 pessoas com retinite pigmentosa avançada. Pesquisadores injetaram no olho de cada participante um gene que codifica a proteína ChrimsonR — que torna células da retina sensíveis à luz — e forneceram óculos especiais que convertem imagens captadas por uma câmera em padrões de luz âmbar.
Sete dos 10 participantes mostraram aumento na sensibilidade à luz. Seis atingiram ganhos definidos previamente como clinicamente significativos; esses ganhos permitiram tarefas como detectar ou localizar objetos e encontrar uma porta enquanto usavam os óculos.
Dentro dos limites do ensaio, o tratamento foi considerado seguro. Os investigadores relataram cerca de 33 eventos oculares, em sua maioria leves ou moderados, e um evento grave que se resolveu em minutos após o tratamento.
Os autores dizem que os resultados confirmam a prova de conceito, mas são limitados: pacientes não voltaram a ler nem a reconhecer rostos; o tempo dedicado à reabilitação melhorou os resultados; e são necessários ensaios maiores. Pesquisas em andamento testam vetores mais eficientes e óculos com maior resolução para aumentar o benefício e avaliar outras aplicações.