Reeleição de Lula provoca choque nos mercados e acelera debate fiscal
Investidores recalibraram risco após o resultado, pressionando o governo a decisões fiscais imediatas que testarão sua credibilidade.
A vitória de Lula foi confirmada pela apuração oficial e pelos boletins de votação, e o resultado provocou comemorações generalizadas, além de um questionamento público da campanha derrotada.
A reação nos mercados financeiros foi intensa na segunda-feira, 26 de outubro: o real se desvalorizou, o dólar subiu cerca de 8–9%, o Ibovespa caiu em dígitos duplos e os circuit breakers da B3 suspenderam negociações.
O estresse de mercado provocou interrupções operacionais, incluindo leilões do Tesouro suspensos e relatos de instabilidade em alguns bancos e corretoras, complicando o financiamento de curtíssimo prazo e o acesso de investidores a títulos públicos.
Na noite do mesmo dia, o presidente Lula reuniu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, para desenhar uma resposta fiscal imediata, enquanto crescia o debate interno sobre recorrer a uma emenda constitucional para limitar o crescimento dos gastos ou usar instrumentos contingenciais, como gatilhos e uma nova DRU.
No plano político, o grupo de Flávio Bolsonaro anunciou a intenção de buscar disputas judiciais, e houve ordem da Polícia Federal para entrega de passaporte, e analistas dizem que os pontos-chave no curto prazo serão os ajustes do governo às leis orçamentárias de 2027, a escolha para a chefia do Ministério da Fazenda e planos concretos de economia capazes de restaurar a confiança do mercado.