Presidente do Paraguai pede demissão após colapso do banco Ueno que congelou contas de milhões
Intervenção regulatória que revelou falhas de crédito e solvência deixou no Congresso decisão sobre impeachment e sobre quem concluirá o mandato
O gatilho central foi uma intervenção regulatória na terça‑feira que constatou que a solvência do Ueno estava bem abaixo dos mínimos legais e levou o banco central a suspender serviços, bloqueando o acesso de cerca de três milhões de clientes.
Promotores decretaram a prisão de oito executivos do Ueno e o presidente do banco central renunciou a pedido do presidente Santiago Peña nos dias seguintes, depois que inspetores descobriram operações de crédito e práticas contábeis que concentravam risco dentro da rede do Grupo Vázquez.
Peña anunciou sua renúncia em vídeo na quinta‑feira, mas o Congresso não concluiu a votação para aceitá‑la, e a Câmara já havia aprovado a abertura de processo que encaminha o caso ao Senado para um julgamento de impeachment.
O Brasil reagiu com cautela e afirmou que espera trabalhar com o vice‑presidente Pedro Alliana caso ele assuma a Presidência. O presidente Lula se reuniu com ministros e economistas para enfatizar responsabilidade fiscal e jurídica e tentar estabilizar os mercados.
O episódio expôs riscos da rápida expansão de fintechs e de laços estreitos entre política e negócios no Paraguai, destacou a participação acionária anterior de Peña no grupo que controlava o Ueno e levanta questões diplomáticas e regulatórias na região sobre supervisão e confiança dos investidores.