Pentágono proíbe pessoal militar e civil de apostar com informações não públicas
Memorando diz que padrões de negociação podem ser usados por serviços de inteligência estrangeiros para antecipar operações dos EUA
Um memorando de uma página, datado de 20 de outubro, determina que funcionários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos não podem usar informações não públicas — classificadas ou não — para fazer apostas em mercados de previsão, citando as plataformas Polymarket e Kalshi e incluindo negociações feitas por terceiros.
O documento avisa que quem violar a ordem pode sofrer ação administrativa, punição militar ou acusações criminais sob a lei federal ou o Código Uniforme de Justiça Militar (Uniform Code of Military Justice).
A diretriz ocorre depois de acusações federais, em abril, contra o sargento‑mestre do Exército Gannon Ken Van Dyke, que, segundo os promotores, usou acesso privilegiado para fazer apostas na Polymarket relacionadas a uma operação em janeiro que prendeu Nicolás Maduro e teria rendido cerca de US$400.000; Van Dyke declarou‑se inocente.
Autoridades do Pentágono dizem que a medida foi motivada por preocupações de segurança operacional: padrões de apostas podem ser agregados e correlacionados por serviços de inteligência estrangeiros para inferir o momento, os alvos ou o deslocamento de tropas.
A nova regra aumenta a vigilância sobre os mercados de previsão e pode levar a monitoramento mais rígido pelas plataformas e a mudanças nas regras de ética e negociação para militares e civis, que agora enfrentam riscos pessoais e profissionais claros ao fazer esse tipo de operação.