Metade do fundo eleitoral de 2026 ficou com pequena parcela de candidatos
Regras de distribuição e preferência por chapas majoritárias e ocupantes de cargos concentraram recursos públicos, levantando dúvidas sobre transferências e desigualdade persistente.
Prestações de contas finais de setembro mostram que o fundo eleitoral de 2026 somou R$4,95 bilhões, com R$4,82 bilhões distribuídos; 873 candidaturas (4,56% das que declararam receitas) receberam R$2,41 bilhões — exatamente metade dos recursos distribuídos.
Poucos nomes de peso concentraram os repasses: Luiz Inácio Lula da Silva recebeu cerca de R$55 milhões, Flávio Bolsonaro cerca de R$47 milhões e Fernando Haddad cerca de R$19 milhões.
Os repasses para candidaturas ao Senado também foram altamente concentrados: metade dos R$429,6 milhões destinados ao Senado foi enviada a 50 candidaturas, e oito candidatos ao Senado receberam transferências iguais ou superiores ao teto de gastos de campanha do TSE.
Especialistas e dirigentes partidários afirmam que repasses acima do teto oficial podem ser legais, porque alguns custos de campanha — como honorários advocatícios e contábeis — ficam fora do teto, e porque os partidos utilizam despesas compartilhadas e “dobradinhas” para apoiar chapas.
Grupos de transparência relacionam o padrão de financiamento a problemas de governança partidária e de equidade, apontando que candidaturas debrancas receberam parcela desproporcional dos recursos e que chefias provisórias de longada duração nos partidos, apesar do limite imposto pelo STF em 2025 às diretorias provisórias, restringem a renovação política e o acesso ao dinheiro público.