Lula e Trump conversam por telefone e EUA ampliam temporariamente cota de carne do Brasil
Medida de 90 dias visa aumentar oferta e segurar preços domésticos de carne bovina nos EUA; ambos pediram retomada rápida das negociações oficiais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, conversaram por telefone na sexta-feira para tratar de tarifas e cooperação bilateral, e os dois líderes pediram a rápida retomada de reuniões oficiais.
No mesmo dia, os EUA anunciaram um aumento por 90 dias na quantidade de carne bovina que pode entrar no país sem a tarifa mais alta aplicável fora da cota, em uma medida destinada a ampliar a oferta e reduzir preços domésticos de carne e hambúrguer.
No mês passado, Washington havia imposto novas tarifas de 25% e 12,5% sobre vários produtos brasileiros, citando supostas falhas na fiscalização de trabalho forçado — alegação que o Brasil rejeita e considera prejudicial a ambas as economias.
No início deste mês, o Brasil solicitou formalmente consultas às autoridades comerciais dos EUA, um procedimento que pode abrir caminho para medidas de retaliação se as negociações não avançarem. Lula afirmou que prefere resolver a disputa por meio de negociações em vez de ações unilaterais.
Durante a ligação, Lula também ofereceu cooperação no combate ao crime organizado, ao mesmo tempo em que manifestou objeção à classificação de alguns grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas pelos EUA — um ponto de atrito político que complica negociações comerciais e de segurança.