Lula e Flávio acirram disputa no TSE sobre carnaval, plataforma de vídeos e 'collabs' no Instagram
Ação questiona recursos públicos para desfile, pede suspensão da 'TV Celular' e investiga uso coordenado de collabs e mídias sintéticas para amplificar conteúdo pró‑PL
Na segunda‑feira, o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolheu uma ação de Flávio Bolsonaro e seu vice contra o desfile dos Acadêmicos de Niterói, dando aos acusados cinco dias para apresentarem defesa; a peça cita R$9,6 milhões em repasses públicos e a transmissão nacional de cerca de 79 minutos do desfile.
A coligação de Lula pediu ao TSE a suspensão da plataforma de vídeos 'TV Celular', alegando que o site apresenta material de campanha pago como conteúdo editorial e que o operador da plataforma recebeu cerca de R$13,1 milhões da campanha.
A coligação também protocolou um pedido de investigação eleitoral sobre o uso coordenado de 'collabs' no Instagram para amplificar conteúdo pró‑Flávio sem registros formais de impulsionamento pago, citando levantamento que identificou 1.826 collabs e 492 perfis com 1.334 publicações collab num período de dez dias.
Separadamente, o PT e partidos aliados apresentaram 20 pedidos de direito de resposta no TSE, acusando contas do PL de usar inteligência artificial e clipes manipulados para induzir eleitores ao erro e solicitando a remoção das postagens ofensivas e a publicação de comunicações corretivas pelo dobro do tempo em que o conteúdo ficou no ar.
A forma como o TSE decidirá terá impacto além desta campanha: os ministros terão de avaliar provas de uso indevido de recursos públicos, se plataformas devem rotular material de campanha passível de download, e como identificar e fiscalizar mídia sintética ou amplificação coordenada entre plataformas — decisões que moldarão a aplicação das regras eleitorais brasileiras e a forma como eleitores veem conteúdo político online.