Lula diz que Brasil rejeitou exigências dos EUA sobre regras eleitorais e terras raras
Vazamento mostra que Washington enviou 21 exigências em outubro de 2025 e uma proposta mais enxuta em janeiro de 2026, sem acordo duradouro.
A publicação, em 17 de setembro de 2026, de um documento de negociação dos EUA levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a afirmar que a oferta original era inaceitável e nunca foi discutida.
A proposta de 16 de outubro de 2025 listava 21 pontos que vinculavam alívio tarifário a condições políticas, incluindo a exigência de que o Brasil não detivesse 'dissidentes políticos' de forma arbitrária durante a votação de 2026, e de que concessionárias americanas tivessem acesso preferencial a minerais críticos e terras raras.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tratou a proposta de outubro como 'inaceitável' e 'natimorto', comunicou Lula no mesmo dia, e o presidente endossou a rejeição alegando violação da soberania brasileira.
Os EUA enviaram um seguimento mais restrito em 9 de janeiro de 2026, cobrindo sete setores e 14 tópicos, que o Brasil analisou em parte, mas não aceitou, deixando disputas tarifárias sem solução.
O vazamento intensifica o debate político às vésperas da eleição de 2026, limita a diplomacia reservada e aumenta o risco de que demandas americanas sobre minerais e acesso a mercados voltem a aparecer em futuras negociações com efeitos concretos sobre a política industrial e os exportadores brasileiros.