Lula admite dificuldade em comunicar ações do governo e defende endurecimento contra crimes hediondos
Entrevista na TV Globo sinaliza mudança na política de segurança e renova foco em ligações entre polícia e Judiciário em meio a segundo turno acirrado
Em sabatina na TV Globo transmitida na quinta-feira, 15 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que seu governo tem encontrado dificuldade para transmitir seus feitos ao eleitorado e respondeu a perguntas sobre políticas e ética.
Lula afirmou ser a favor de reduzir a maioridade penal “em todo e qualquer crime hediondo”, defendendo postura mais dura contra adolescentes autores de crimes graves — posição que contrasta com posições anteriores do PT e que se cruza com propostas legislativas concorrentes.
Ele classificou as facções criminosas do país como “terroristas” em relação às comunidades que atacam e afirmou que os Estados Unidos interpretam mal esses grupos ao aplicar rótulos convencionais de terrorismo.
Lula disse que a explicação do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por ter participado de uma degustação de uísque em Londres paga pelo empresário Daniel Vorcaro “não o convenceu” e evitou dizer se Rodrigues permaneceria no cargo caso Lula seja reeleito.
Os comentários ocorrem quando pesquisas do Datafolha mostram liderança apertada de Flávio Bolsonaro, e os dois candidatos se preparam para novas entrevistas em emissoras e dois debates antes do segundo turno em 25 de outubro, enquanto revelações ligadas ao chamado “caso Master” mantêm o debate público sobre reforma de ética judicial.