LG nega acusação de espionagem em TVs, mas dúvidas sobre dados permanecem
Pesquisadores dizem que ciclo de vida dos dados (microfones, varredura de rede e reconhecimento automático de conteúdo) não está claro, o que pode comprometer o consentimento informado
Relatórios publicados por Gamers Nexus, Level1Techs e pesquisadores independentes mostram que modelos selecionados de TVs da LG fazem varredura de dispositivos na rede Wi‑Fi doméstica, criam impressões digitais (fingerprinting) de hardwares conectados, executam Automatic Content Recognition (ACR) nas entradas e registram áudio que pode ser transcrito e armazenado.
A LG emitiu uma negação formal, afirmando que suas TVs não gravam conversas de forma contínua, que a detecção por palavra‑de‑acordo (wake‑word) é processada localmente, e que os recursos de ACR e voz são opcionais ou exigem ativação do usuário.
Pesquisadores de privacidade e acadêmicos afirmam que a declaração da LG não esclarece todo o ciclo de vida dos dados, apontando que ficam em aberto questões sobre o que é coletado, por quanto tempo é retido, para onde os dados são enviados e se os fluxos de configuração atendem aos padrões legais para consentimento informado e opt‑in.
Equipes técnicas relataram falhas de firmware à LG e têm retido detalhes completos de exploração enquanto orientam usuários a desativar ACR e o recurso de voz sem mãos, usar redes Wi‑Fi separadas para convidados ou para dispositivos IoT, aplicar atualizações ou desligar recursos inteligentes como medidas temporárias de proteção.
O caso ressalta um padrão mais amplo na indústria e maior pressão regulatória: a maioria dos grandes fabricantes de TV usa microfones e ACR; o Information Commissioner's Office (ICO) do Reino Unido tem recomendado privacy‑by‑design e minimização de dados; e um acordo recente da LG no Texas para melhorar fluxos de opt‑in pode abrir caminho para ações legais adicionais.