IA reduz contratações de nível inicial e aumenta risco de desemprego
Estudos dos EUA mostram empresas substituindo tarefas rotineiras de juniores por IA; ganhos de produtividade medidos podem refletir menos funcionários e períodos mais longos sem trabalho para demitidos.
Pesquisadores que analisaram dados de folha de pagamento e setores dos Estados Unidos identificaram queda acentuada nas contratações para cargos brancos‑colarinhos de nível inicial. Um estudo aponta que o emprego entre jovens de 22 a 25 anos em ocupações mais expostas à IA está cerca de 19% abaixo do esperado.
O banco Goldman Sachs elevou sua previsão de deslocamento de longo prazo e constatou que trabalhadores demitidos de funções expostas à IA levam, em média, cerca de um mês a mais para conseguir novo emprego e têm aproximadamente 10 pontos percentuais a mais de probabilidade de permanecer desempregados um ano após a demissão.
Analistas observam que os setores dos EUA que mais adotam IA registram produtividade medida mais rápida ao mesmo tempo em que reduzem quadros de pessoal, o que sugere que parte dos ganhos de produtividade reflete automação, e não apenas crescimento de produção.
As evidências variam conforme o país, os dados, o período analisado e a definição de “exposição à IA”. O Statistics Canada, por exemplo, não identificou efeitos gerais sobre contratações ou demissões até agosto de 2026.
Empresas e formuladores de políticas estão respondendo com propostas como reforma curricular, programas de aprendizagem remunerada vinculados a contratações, impostos ou taxas para grandes usuários de capacidade computacional, e aconselhamento interno mais cauteloso — após cortes de pessoal ligados à IA, muitas empresas recontrataram funcionários quando perceberam que conhecimentos institucionais eram essenciais.