Flávio Bolsonaro vai aos EUA e se autodeclara ‘líder’ em episódio que isola ainda mais a família
Chegada a Miami e carta contestada — que o chamou primeiro de “verdadeiro presidente eleito” e depois de “líder do Brasil” — provocam reações no PL e cisma na direita que pode remodelar a oposição a Lula.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na terça‑feira, 27 de outubro, após ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes, e desembarcou nos Estados Unidos, onde publicou uma carta que o chamou inicialmente de “verdadeiro presidente eleito” e foi logo editada para qualificá‑lo como “líder do Brasil”.
A ordem de entrega dos passaportes veio depois de pedidos da Polícia Federal relacionados a investigações em curso sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.
Líderes partidários reagiram com dureza: Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmou que não gostou da carta, e partidos de centro‑direita, como PSDB, MDB e União Brasil, defenderam publicamente a confirmação da vitória de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral e rejeitaram alegações de fraude.
O episódio gerou amplo ridículo público nas redes, com memes e zombaria. Até aliados, como o pastor Silas Malafaia, criticaram privadamente os filhos de Bolsonaro em termos contundentes. O presidente dos EUA, Donald Trump, optou por não se envolver.
As investigações e medidas judiciais seguem em curso, Flávio não apresentou provas das alegações de fraude, e sua saída do país aumenta o risco de aprofundar a fragmentação da coalizão de direita, deslocando a energia política de volta para questões sobre legitimidade institucional e responsabilização legal.