Evangélicos migram fortemente para Flávio Bolsonaro na reta final, dizem pesquisas
Pesquisa mostra desaprovação entre evangélicos a Lula; boato sobre Nossa Senhora Aparecida e decisões judiciais moldam mensagens de campanha
Uma pesquisa Atlas/AtlasIntel realizada entre 23 e 28 de setembro com 5.005 pessoas mostrou 62,7% dos eleitores evangélicos apoiando Flávio Bolsonaro e 20,8% para Lula, indicando forte inclinação no voto para o primeiro turno.
O mesmo levantamento aponta que cerca de 77% dos evangélicos desaprovam o governo do presidente Lula e 76% avaliam sua gestão como ruim ou péssima — uma queda de aproximadamente 8,5 pontos para Lula em relação à onda de meados de setembro.
O vice‑presidente do TSE, André Mendonça, determinou a retirada de publicações em redes sociais que vinculavam Flávio a um boato sobre a retirada da padroeira Nossa Senhora Aparecida, medida que desencadeou uma série de intervenções judiciais entre os ministros Flávio Dino e Luiz Fux.
As duas campanhas exploraram o episódio em propagandas eleitorais: a equipe de Lula exibiu peças acusando Flávio de atacar a Igreja Católica e divulgando um repúdio. Já os anúncios de Flávio enfatizaram o antipetismo e a mensagem de ‘voto útil’, apresentando‑o como o único capaz de derrotar Lula.
O episódio evidencia dois riscos iminentes para a disputa: a mobilização dos eleitores evangélicos, que pode redesenhar os resultados do primeiro turno, e a influência ampliada da desinformação, somada às decisões judiciais, sobre o conteúdo que os eleitores recebem na campanha — com uma eventual vitória de Flávio podendo resultar no primeiro presidente evangélico eleito por voto direto no Brasil.