Documentário NAZA acusa Forças de Defesa de Israel de usar IA para cronometrar ataques
Filme reúne depoimentos anônimos de militares e agentes e afirma que programas com dados de celular e IA montavam listas e marcavam ataques; governo israelense nega, abriu investigações e produziu refutação
O documentário NAZA, dirigido por Yuval Abraham e Rachel Szor, reúne 24 entrevistas on‑camera anonimizadas com atuais e ex‑membros das Forças de Defesa de Israel (IDF) e de serviços de inteligência. Os entrevistados descrevem funções em operações em Gaza e o uso de um termo interno, “NAZA”, para contabilizar mortes civis esperadas.
O filme se baseia em apuração de The Guardian, +972 Magazine e Local Call e detalha programas que os repórteres chamaram de “Lavender” e “Where’s Daddy?”, segundo os quais dados de telefone e ferramentas de inteligência artificial eram usados para compilar listas de alvos e cronometrar ataques.
NAZA ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza e está em exibição limitada nos cinemas; o Guardian planeja disponibilizar o filme gratuitamente em streaming após a temporada de salas.
Autoridades israelenses e o IDF negam veementemente as principais alegações. O governo abriu investigações sobre vazamentos e procedimentos legais, lançou um filme de resposta promovido pelo próprio governo, e o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu ameaçou revogar a cidadania dos diretores.
A cobertura tem destacado lacunas de verificação por depender de fontes anônimas, o debate de especialistas sobre IA como ferramenta de apoio à decisão versus sistema autônomo, os riscos à liberdade de imprensa e à segurança de denunciantes, e os possíveis efeitos legais e diplomáticos das alegações do documentário.