Conflito no Golfo leva petróleo a US$90 e pressiona yields globais, testando mercados brasileiros
Avanço do Brent e alta dos Treasuries apertam custo de financiamento; saída de estrangeiros deixa Brasil mais vulnerável.
O alargamento do conflito no Golfo elevou o preço do Brent acima de US$90 e empurrou os juros de títulos de longo prazo nos Estados Unidos e na Europa a máximas de vários anos, levando investidores a ativos considerados mais seguros.
Após o pregão de segunda‑feira, índices acionários dos EUA e da Europa caíram, com o petróleo mais caro e os Treasuries em alta elevando custos de financiamento e reduzindo o apetite por ações.
No Brasil, o Ibovespa fechou cerca de estável, e houve divergência setorial: ações de bancos recuaram, mas as da Petrobras avançaram com o rali do petróleo.
Investidores estrangeiros têm retirado recursos do país recentemente: mais de R$15 bilhões saíram no início de agosto, embora o fluxo de entrada estrangeiro acumulado no ano ainda seja positivo. A fuga de capitais aumenta a volatilidade, num momento de definição das eleições.
O dólar recuou e o real voltou a rondar R$5,20 após a recente alta da moeda americana, mas economistas alertam que uma valorização sustentada do dólar, somada ao avanço do petróleo, pode pressionar preços de alimentos, combustíveis, eletrônicos, medicamentos e viagens e complicar decisões de política econômica.