Comitê da Câmara diz que vínculos da Webull com a China representam risco à segurança nacional
Relatório aponta estrutura societária, desenvolvedores na China e sistemas transfronteiriços; mudança em outubro de 2025 para manter caixa de clientes nos EUA aumenta exposição de bilhões de dólares.
Um relatório bipartidário do House Select Committee on China, divulgado nesta quarta‑feira, concluiu que a propriedade, a tecnologia e a organização de pessoal da corretora Webull estão “estruturalmente ligadas” à República Popular da China e podem representar riscos de segurança nacional e de exposição de dados.
O documento cita como principais fontes de risco: uma estrutura de holding nas Ilhas Cayman e nos EUA; uma entidade tecnológica em Cingapura; uma subsidiária na China continental que fornecia pesquisa e desenvolvimento; e uma estrutura de ações com dupla classe que concentra o controle dos fundadores.
Os congressistas destacaram outubro de 2025 como ponto de inflexão: foi quando a Webull passou a manter diretamente o dinheiro de clientes nos EUA, alteração que, segundo o comitê, aumenta a exposição de bilhões de dólares de capital americano.
A Webull contestou veementemente as conclusões, afirmando que os dados de clientes nos EUA são armazenados e o acesso a eles é controlado nos Estados Unidos. Ainda assim, o anúncio provocou queda intradiária imediata de cerca de 18% a 20% nas ações da empresa e levou à abertura de diversas investigações e consultas de advogados de acionistas.
O comitê recomendou medidas concretas, entre elas: ampliar o trabalho da SEC sobre operações transfronteiriças; estabelecer novas regras de inspeção e proteção de dados para corretores; e incluir corretores controlados por estrangeiros no escopo do CFIUS (Comittee on Foreign Investment in the United States). Essas propostas podem aumentar custos de conformidade e provocar novas revisões regulatórias ou ações de fiscalização.