Apoio público de Milei a Flávio Bolsonaro agrava racha com o Brasil
Brasil manteve embaixador em Brasília para pressionar Javier Milei a cessar ataques pessoais a Lula.
O presidente Javier Milei celebrou publicamente o avanço de Flávio Bolsonaro ao segundo turno e renovou ataques pessoais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, escalando as tensões entre Argentina e Brasil.
O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, permanece no país por tempo indeterminado. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirma que as relações só serão normalizadas se Milei interromper suas agressões contra Lula.
A campanha de Lula passou a explorar os recentes dados econômicos da Argentina — o INDEC reportou pobreza em 32,3% e indigência em 7,5% no primeiro semestre de 2026 — para alertar eleitores de que uma vitória de Bolsonaro poderia trazer ao Brasil um sofrimento econômico ao estilo argentino.
Em Brasília, círculos partidários e do governo discutem possíveis nomes para a chefia do Itamaraty em um eventual governo Bolsonaro, com Eduardo Bolsonaro, Tereza Cristina e Roberto Azevêdo sendo citados, e diplomatas de carreira manifestando preocupação particular com Eduardo Bolsonaro.
Uma publicação controversa em redes sociais do deputado Nikolas Ferreira, que acusava a deputada do PT Ana Elisa de pedir o fechamento de igrejas, foi negada pela acusada e comentada publicamente por Milei, acrescentando uma provocação alimentada por desinformação ao impasse diplomático e eleitoral antes do segundo turno em 25 de outubro.