Conflito no TSE sobre canais do WhatsApp e vídeo falso acelera pressão por regras para o segundo turno
Ordens judiciais conflitantes e a análise técnica do canal 'Exército do Lula' fazem campanhas e plataformas buscar normas vinculantes antes do segundo turno em 25 de outubro.
Um vídeo originado no Chile foi difundido como se tivesse sido gravado em um comício pró‑Lula na Avenida Paulista e, em 12 de outubro, o ministro do TSE Marco Aurélio Bellizze determinou que Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Pablo Marçal e outros retirassem publicações com o trecho em 24 horas.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, ordenou a suspensão temporária do canal ‘Exército do Lula’ no WhatsApp e, horas depois, o corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva restaurou o canal, provocando disputa pública sobre o rito processual e qual magistrado detém autoridade para a medida.
Uma perícia técnica solicitada por Nunes Marques não identificou novos itens falsos na amostra de mensagens do canal, mas registrou que algumas publicações haviam sido excluídas, o que limitou a avaliação e manteve o caso aberto para decisão em plenário.
Nunes Marques convocou representantes de campanhas em 13 de outubro, e as equipes jurídicas de Lula e de Flávio Bolsonaro planejaram se reunir para elaborar propostas de regras para o WhatsApp a serem apresentadas ao TSE, com o objetivo de reduzir ações judiciais e estabelecer controles para grandes canais de transmissão.
A disputa evidencia um problema maior: canais de transmissão do WhatsApp alcançam milhões de pessoas, ficam fora das ferramentas convencionais de moderação das plataformas e agora podem passar a exigir registro no TSE, parâmetros de prova e mecanismos de execução que mudariam a forma como campanhas mobilizam eleitores.