The Economist vê eleição brasileira como oportunidade perdida para reformas
Revista diz que principais candidatos não têm planos críveis para controlar a dívida ou restaurar a confiança pública, lacuna que pode agravar fragilidade econômica e institucional do país.
A revista The Economist publicou em 24 de setembro uma série de textos que criticam com veemência a corrida presidencial, afirmando que os eleitores enfrentam uma escolha entre candidatos que oferecem pouco caminho realista para reformas fiscais profundas ou estruturais.
A publicação descreveu Luiz Inácio Lula da Silva como “um esquerdista caduco” que pouco fez para cortar gastos protegidos, e Flávio Bolsonaro como um populista mais atento a perdões e confrontos com juízes do que a planos detalhados de contenção de despesas.
A Economist destacou Renan Santos como o candidato cujas ideias mais se alinham às reformas necessárias, chamando-o de “libertário combativo” favorável a grandes cortes de gastos, mas observou que ele carece da musculatura política para romper o duopólio Lula–Bolsonaro.
A cobertura ressaltou as investigações envolvendo o Banco Master e os achados da Polícia Federal que ligam o banqueiro Daniel Vorcaro a figuras políticas e do Supremo Tribunal Federal, dizendo que esses vínculos levantam novas questões sobre a integridade das instituições brasileiras.
Os textos enfatizaram limites macroeconômicos que restringem qualquer governo que venha a assumir — dívida pública próxima de 100% do PIB, elevadas taxas de juros reais e cerca de 90% do orçamento federal atrelado a gastos obrigatórios — e advertiram que essa combinação pode reduzir investimentos e moldar a visão de investidores e chancelerias internacionais sobre o Brasil.