Servidores públicos doaram R$ 2 milhões a campanhas de 2026, mostram arquivos
Aumento de queixas ao Ministério Público do Trabalho leva procuradores e especialistas a ver risco de coação e conflito de interesse nas doações
Uma cruzagem de dados do Valor identificou que 444 assessores do Congresso doaram cerca de R$ 2 milhões a campanhas, com aproximadamente R$ 724.000 em repasses em dinheiro e R$ 1,3 milhão registrados como serviços voluntários monetizados.
Uma apuração da Folha identificou que a maioria dos doadores que entregaram ao menos R$ 2.500 à reeleição de Lula eram, segundo a reportagem, servidores federais ou diretores de estatais, totalizando cerca de R$ 425.000 em dinheiro e serviços estimados.
As reportagens citaram cinco ministros em exercício entre os doadores à campanha de Lula e detalharam casos em que, segundo as matérias, assessores desempenharam funções de campanha para seus próprios chefes, às vezes em trabalho estimado acima de salários mensais.
As campanhas negam ter recebido instrução de autoridades do governo e afirmam que as contribuições foram voluntárias. O Ministério Público do Trabalho, segundo dados, registra um aumento de queixas por assédio eleitoral ligado à administração pública.
Especialistas jurídicos dizem que doações de servidores públicos são permitidas dentro de limites de renda e regras de prestação de contas, mas alertam que desequilíbrios de poder podem transformar atos supostamente voluntários em coação ou conflito de interesse, o que, segundo eles, pode motivar investigações ou ações judiciais.