Quase 2 milhões trabalharam por aplicativos em 2025, aponta IBGE
Módulo experimental mostra jornadas mais longas, menor rendimento por hora, forte informalidade e dependência de um único app em 62,5% dos casos
O IBGE informou em 4 de setembro de 2026 que 1.959.000 pessoas realizaram trabalho por meio de plataformas digitais em 2025, das quais 1.800.000 tinham esse trabalho como ocupação principal — alta de 9,1% em relação a 2024 e de 36,8% desde 2022 no total de ocupações principais.
O trabalho por aplicativo concentra‑se em transporte de passageiros (58,9%) e em entregas (19,2%), e a maioria dos trabalhadores é do sexo masculino e tem entre 25 e 39 anos.
Esses trabalhadores têm semanas mais longas: 44,7 horas em média, contra 39,3 horas dos demais trabalhadores. O rendimento mensal médio é parecido, mas o pagamento por hora é menor: R$16,20 por hora para quem trabalha por apps, ante R$18,40 para os demais — ou seja, mais tempo de trabalho por um valor horário inferior.
O levantamento aponta forte informalidade e fraca proteção social: 72,1% dos trabalhadores por plataforma são informais e apenas 34% contribuem para a previdência. Entre os cerca de 405.000 trabalhadores em aplicativos de motocicleta, a cobertura previdenciária cai para 19,4%.
O módulo de 2025 é classificado pelo IBGE como experimental e mostra que 62,5% dos que têm trabalho principal por plataforma dependem de um único aplicativo. Os dados reabriram o debate sobre a natureza do vínculo trabalhista e motivaram pedidos de regras, medidas de segurança e soluções de proteção social por parte de sindicatos, da Procuradoria‑Geral da República e de setores da indústria.