Proposta de Lara Resende aprofunda dissenso no governo Lula por corte forte da Selic
Plano para reduzir a taxa básica a cerca de 7,5% em 12 meses e usar reservas cambiais para suavizar a queda gera preocupação sobre instabilidade e independência do BC
A proposta foi apresentada em um artigo no Substack por André Lara Resende em setembro, no qual ele atribui os elevados juros ao aumento do custo da dívida pública e sugere um caminho de 12 meses para levar a Selic a aproximadamente 7,5%, além da criação de um novo Conselho Fiscal e Monetário.
Figuras seniores do PT, incluindo Gleisi Hoffmann e José Sérgio Gabrielli, receberam a proposta publicamente. O ministro da Economia, Dario Durigan, afirmou que não há reunião agendada entre o presidente Lula e Lara Resende e que o governo não está considerando tetos para os juros nem o uso das reservas na forma proposta.
Os mercados financeiros já reagiram com maior volatilidade: ações recuaram, o real se desvalorizou e os rendimentos subiram, à medida que investidores ponderaram a possibilidade de mudança no regime de política monetária.
Membros da equipe econômica oficial alertaram que a proposta poderia provocar fuga de capitais, forçar o uso rápido das reservas cambiais e desestabilizar o mercado, porque grande parte da dívida pública é indexada à Selic e investidores poderiam rejeitar títulos pós-fixados.
Nenhuma mudança de política foi adotada, e o debate agora evidencia uma divisão mais ampla na coalizão governista entre os que defendem ajuste fiscal mais profundo e os que buscam caminhos heterodoxos para reduzir o custo dos juros, com investidores acompanhando as próximas decisões do Banco Central e eventuais contatos entre Lara Resende e Lula.