NVIDIA fatura US$96,2 bilhões no trimestre e prevê crescimento de cerca de 70%
Demanda institucional por GPUs dispara; alta do custo de memória pressiona margens e grandes financiamentos de clientes aumentam riscos de execução.
A NVIDIA divulgou em 26 de agosto seu resultado do segundo trimestre fiscal: receita de cerca de US$96,2 bilhões, dos quais aproximadamente US$89 bilhões vieram da divisão de data center — valores que dobraram em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa deu uma orientação de crescimento da receita de aproximadamente 70% para o próximo trimestre, prazo incomumente longo para esse tipo de previsão.
A Amazon Web Services (AWS) e a NVIDIA confirmaram um acordo ampliado para instalar cerca de 2 milhões adicionais de GPUs NVIDIA na infraestrutura da AWS, indicando que os grandes provedores de nuvem (hyperscalers) continuam sendo um motor importante da demanda.
A direção da NVIDIA alertou que as margens brutas devem cair para a casa dos 70% devido ao aumento do custo de HBM e outras memórias relacionadas, que encarecem os conjuntos de GPUs e comprimem a rentabilidade no curto prazo.
Analistas e jornalistas destacaram compromissos significativos de financiamento a clientes feitos por fornecedores e emissões de dívida recentes como riscos de execução. Esse tema contribuiu para oscilações extremas das ações após a divulgação, mesmo com observadores apontando fluxo de caixa muito forte e alavancagem reportada baixa.
A estrutura de mercado também está mudando: o poder de processamento (compute) tende a virar uma mercadoria negociável — há propostas na CME (Chicago Mercantile Exchange) para futuros de GPU‑hour — e a mix de vendas da NVIDIA está se ampliando além dos hyperscalers para incluir governos, neoclouds e clientes empresariais. Essa mudança pode alterar quem paga e quem gerencia a infraestrutura de IA.