Mensagens sugerem que advogado tentou envolver STF para proteger Banco Master
Trechos publicados, se autênticos, apontam tentativas de usar laços políticos e judiciais para influenciar decisões do Banco Central, aumentando dúvidas sobre pressão indevida a reguladores financeiros.
Trechos de mensagens publicadas do celular de Daniel Vorcaro, em 23 de setembro de 2026, mostram seu advogado Walfrido Warde dizendo que “abriria caminho” para contatar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e relatando que o presidente Lula “agradeceu mais uma vez” por um uísque.
As reportagens dizem que Moraes contatou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, várias vezes em 2025. Reguladores discutiam uma intervenção no Banco Master, mas Moraes afirma que suas conversas com Galípolo foram sobre a lei Magnitsky dos EUA e não sobre o banco.
O Banco Central vetou a venda Master–BRB em 3 de setembro de 2025, Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, e o Banco Master foi colocado em liquidação no dia seguinte — eventos que reguladores e procuradores citam como ligados a fraudes e transferências de crédito irregulares.
A Secretaria de Comunicação da Presidência negou que Lula tenha recebido presentes de Vorcaro ou enviado qualquer mensagem, e afirmou que o único encontro entre eles ocorreu em 4 de dezembro de 2024; no entanto, a apuração se apoia principalmente nas mensagens do celular e segue contestada.
Se verificadas, as mensagens podem abrir novas apurações sobre pagamentos e circuitos de influência mencionados na cobertura, incluindo alegações de que Warde recebeu R$27 milhões e de que intermediários como Guido Mantega buscaram reuniões em nome de Vorcaro.