Mensagens no celular ligam ex‑bancário Daniel Vorcaro a políticos influentes enquanto investigações avançam
Trechos publicados das mensagens apreendidas mostram trocas que podem reforçar apurações ao revelar coordenação direta, presentes e táticas jurídicas contra regulador
O caso regulatório central começou no início de 2025, quando o Banco Central encontrou indícios de que o Banco Master teria registrado cessões de créditos inexistentes, comunicou o Ministério Público Federal e depois vetou uma venda de R$12 bilhões ao BRB antes de liquidar o banco e provocar a prisão de Vorcaro.
Nesta semana, investigadores e diversos veículos publicaram mensagens extraídas do celular de Vorcaro que mostram ele e intermediários planejando ataques jurídicos ao Banco Central e buscando “alertar o presidente”. As mensagens foram trocadas enquanto o regulador analisava o negócio com o BRB.
As mensagens incluem trocas pessoais com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em que ele chama Vorcaro de “irmão”, e recados logísticos combinando presença em eventos privados — relação que Alcolumbre definiu como pessoal e disse que buscará medidas legais.
Outras mensagens publicadas citam o advogado de Vorcaro afirmando que o presidente Lula “agradeceu o uísque” e retransmitiu um abraço, declaração que a Presidência nega, ao mesmo tempo em que ressalta que Lula encontrou Vorcaro apenas uma vez, em dezembro de 2024.
Além das divulgações do celular, reportagens lembram que Vorcaro bancou uma degustação cara de Macallan ligada a um fórum jurídico em Londres frequentado por magistrados e chefes de órgãos de investigação, detalhe que amplia o escrutínio sobre como vínculos sociais de elite se entrelaçam com apurações regulatórias e criminais.