Lucro recorde da Micron em 2026 levanta dúvidas sobre sustentabilidade
Compromissos multianuais e backlog grande dão visibilidade de receita no curto prazo; expansão de fábricas, limites do CHIPS Act a buybacks e mais capacidade de rivais deixam margens incertas
Em 30 de setembro a Micron informou receita de cerca de US$133,2 bilhões no ano fiscal de 2026, lucro líquido de aproximadamente US$85 bilhões e margem bruta de 86,8% no trimestre final, resultados que a empresa atribuiu à forte demanda por memória para nuvem, data centers e aplicações de IA.
A direção declarou cerca de US$32 bilhões em compromissos financeiros vinculados a contratos de fornecimento de longo prazo e cerca de US$150 bilhões em obrigações de desempenho remanescentes, e orientou o primeiro trimestre fiscal de 2027 acima das estimativas dos analistas, descrevendo a capacidade de Taichung para 2027 como esgotada.
As ações negociam com múltiplos à frente incomumente baixos em relação aos lucros deste ano, refletindo um mercado dividido entre analistas otimistas, que destacam a cobertura contratual, e céticos, que veem as margens atuais como um pico cíclico vulnerável a quedas de preço.
Riscos-chave para a manutenção dos lucros incluem o cronograma das ampliações de fábricas da Micron nos EUA, que só passam a adicionar volume relevante no fim de 2027–2028; avanços de concorrentes como a CXMT e rivais tradicionais; e recentes notícias sobre trabalho em Taiwan que podem atrapalhar a produção.
A Micron encerrou o ano fiscal de 2026 com cerca de US$73,5 bilhões em caixa e grandes compromissos de capital planejados até 2035. Investidores devem acompanhar a oferta de HBM, as rampas de nova capacidade e as regras do CHIPS Act sobre buybacks para sinais de se as margens elevadas vão se manter.