Janones é apontado como comandante da virada digital de Lula
Rede de WhatsApp de 10 milhões enviava “missões” diárias que combinavam lives longas com mobilização de rua para aumentar votação e influenciar o resultado do segundo turno.
Cobertura atribui ao deputado federal André Janones a organização do impulso digital da campanha pelo canal de WhatsApp Exército do Lula, uma rede que repórteres dizem ter atingido mais de 10 milhões de pessoas e ter tido papel central no desfecho do segundo turno.
A operação de Janones enviava instruções diárias aos apoiadores chamadas de “missões”, que pediam aos seguidores que repostassem vídeos, promovessem hashtags direcionadas e fizessem buscas guiadas no Google para amplificar mensagens pró‑Lula e rebater narrativas de Flávio Bolsonaro.
A campanha usou lives estendidas com a presença do presidente Lula e de artistas — algumas sessões durando até 24 horas — e convocatórias para manifestações de rua, com o objetivo de converter engajamento online em comparecimento físico às urnas.
Janones construiu sua influência em um histórico de mobilizações de destaque e sucesso eleitoral desde 2018, mas também acumula registros de medidas disciplinares: um pedido de cassação em 2024 foi arquivado e o Conselho de Ética da Câmara suspendeu seu mandato por três meses em 2025 por ter ofendido um colega.
Analistas políticos alertam que o Exército do Lula seguirá sendo uma ferramenta de mobilização potente no próximo governo e poderá moldar o debate público e pressionar adversários. A recente internação de Janones por arritmia após o debate na Band é tratada como episódio pessoal separado.