Indonésia prende três altos policiais, inclusive chefe de gabinete presidencial, por escutas ilegais
Investigação criminal apreendeu materiais digitais; autoridades dizem que ligações do presidente e de dezenas de pessoas foram interceptadas entre 2025 e 2026.
A polícia confirmou na terça-feira à noite a detenção de três altos oficiais identificados pelas iniciais LSP, ASN e EH, suspeitos de interceptar ilegalmente chamadas e de inserir números no Lawful Interception Management System (LIMS), sistema oficial de interceptações.
Investigadores afirmam que as escutas miraram o presidente Prabowo e dezenas de autoridades, jornalistas, membros da sociedade civil e empresários entre 2025 e 2026. Segundo as investigações, os suspeitos ordenaram a exclusão dos registros do LIMS em outubro.
Como parte do inquérito criminal, as autoridades apreenderam 11 celulares, um iPad e quatro pen drives, além de terem ouvido várias testemunhas e peritos. Já foram apresentadas acusações por interceptação ilegal, acesso eletrônico não autorizado e exclusão de dados.
O gabinete presidencial afastou Listyo Sigit Prabowo do cargo de chefe de gabinete. Um porta-voz do presidente afirmou que os atos podem ser tratados como traição. Um ministro sênior disse, porém, que até o momento os investigadores não encontraram provas de traição.
O Exército deslocou mais de 20.000 militares para Jacarta para reforçar a segurança. Autoridades alertam que as investigações e eventuais processos poderão levantar questões mais amplas sobre confiança e supervisão dos poderes de polícia e de vigilância na Indonésia.