Indonésia detém três policiais de alta patente por suposta interceptação ilegal do presidente
Promotores preparam acusações sob o Código Penal e a lei de informações eletrônicas após investigadores encontrarem registros apagados e apreenderem dispositivos digitais.
Autoridades prenderam três agentes identificados pelas iniciais LSP, ASN e EH — apontados pela imprensa como o ex-chefe da Polícia Nacional Listyo Sigit Prabowo, o chefe jurídico da polícia Ahrie Sonta Nasution e o inspetor‑geral Eko Hadi Santoso — e os mantiveram na sede da Polícia Nacional para interrogatório.
Investigadores afirmam que, entre 2025 e 2026, os suspeitos inseriram números de telefone do presidente Prabowo e de dezenas de outros funcionários públicos, jornalistas, ativistas e empresários no Lawful Interception Management System (sistema de gestão de interceptações da polícia) sem autorizações legais formais.
As autoridades dizem que os policiais ordenaram a exclusão de arquivos interceptados do sistema em outubro de 2026. Durante as investigações foram apreendidos 11 celulares, um iPad e quatro pen drives; foram ouvidas 10 testemunhas e três peritos.
Ministros e autoridades policiais informaram que as acusações devem incluir interceptação ilegal, acesso não autorizado e exclusão de informações eletrônicas, previstas no Código Penal e na Lei de Informações e Transações Eletrônicas, com penas que podem chegar a 10 anos de prisão na imputação mais grave.
O caso levanta dúvidas sobre a supervisão interna da polícia nacional após a nomeação de Listyo como chefe de gabinete presidencial em 1º de outubro, e pode levar a revisões sobre quais órgãos do Estado podem legalmente operar sistemas de interceptação e como esses sistemas são auditados.